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A segunda reportagem da série 'O seguro nasceu de novo' traz uma radiografia do sistema de saúde envolvendo seguradoras e planos de saúde

A segunda reportagem da série 'O seguro nasceu de novo' traz uma radiografia do sistema de saúde envolvendo seguradoras e planos de saúde. Um check-up, a um toque da tela do smartphone. Exames de coração, diabetes, acompanhamento de peso, pressão, febre e até mesmo de câncer podem ser feitos por aplicativos para celular. O objetivo: aumentar o acompanhamento preventivo de doenças, reduzir custos com seguro e filas por atendimento nos hospitais e emergências do país

João de Lima tem 83 anos. É diabético e sofre de pressão alta. Mas não abre mão de uma cervejinha no fim de semana, geralmente acompanhada por rabada ou mocotó. Neimar Albino, 28, tem uma dieta rígida e hábitos saudáveis. Faz exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana e se alimenta a cada três horas. Fumante, Leandro Corrêa Tavares, de 35 anos e 108 quilos, leva uma vida sedentária e não cuida da alimentação.

Celular é o melhor remédio
Arte: O Dia

Esses perfis podem ser enquadrados em diferentes grupos pela ePHealth (veja na arte acima), que está desenvolvendo um aplicativo para reduzir a procura por atendimento médico com o auxílio da tecnologia. A estratégia é simples: ampliar os planos de prevenção com estímulos ao usuário. Com um seguro ou plano de saúde, Leandro pode até ser bonificado se quiser melhorar os seus hábitos alimentares e fazer alguma atividade física para perder peso.

A empresa está desenvolvendo um game com dados coletados num aplicativo para celular. Com o auxílio de balança e medidor de pressão, o sistema permite acompanhar os dados do cliente. Também é possível registrar os passos em numa caminhada ou corrida e verificar as idas à academia. Se conseguir um bom 'score' (avaliação, em inglês), Leandro vai receber descontos em artigos esportivos e marcas de suplemento alimentar. É o mesmo raciocínio usado para monitorar os deslocamentos dos veículos com o auxílio da tecnologia, determinando uma apólice personalizada.

Mais qualidade de vida

No caso das seguradoras de saúde, a perspectiva é melhorar a qualidade de vida das pessoas. "As pessoas estão ficando mais doentes e os gastos (de seguradoras e planos de saúde) estão subindo. A conta não está fechando mais. Então, criamos essa iniciativa. É tipo um programa de milhas ou quilômetros de vantagem voltado para a saúde. Ajudar pessoas com hábitos não adequados a serem mais saudáveis reduz possíveis custos com hospitalização e internação", explica Pedro Marton Pereira, CEO da ePHealth.

A iniciativa da empresa, que recebeu suporte da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) para desenvolver o aplicativo, é uma tendência num ramo em busca de inovações. A ideia é desenvolver ações com o auxílio da tecnologia para evitar uma eventual consulta ao médico em casos de menor gravidade, reduzindo as longas filas por atendimento em hospitais, emergências e consultórios.

Com um smartphone em mãos, já é possível fazer o controle de batimentos cardíacos, febre, obesidade, pressão e até diabetes, graças a um aparelho com sensor que mede a glicose, sob a pele. Os dados ficam armazenados num app, permitindo uma análise em tempo real. A temperatura de uma criança com febre, por exemplo, pode ser acompanhada pelo termômetro. Caso seja necessário ministrar medicamento, é emitido um sinal sonoro ao celular dos pais, sem a necessidade de ir ao médico. Um paciente com obesidade mórbida pode evitar uma cirurgia bariátrica com o auxílio dessa tecnologia.

Coração no smartphone

Hoje, a avaliação no cardiologista exige que o paciente fique com um aparelho para monitorar os seus batimentos cardíacos por 24 horas. O resultado é enviado ao médico e só depois, com nova consulta, é possível dar o diagnóstico. Com o aplicativo, a análise será em tempo real.

A tecnologia permite, também, que seja feito o diagnóstico de alguns tipos de câncer. Com a câmera do celular, é possível acionar o sensor para um exame de microscopia do tecido do colo do útero. Também dá para diagnosticar, por exemplo, uma catarata, com uma consulta oftalmológica à distância. "Isso pode diminuir as filas para atendimento nos hospitais. É uma inovação que vai salvar muitas vidas", acredita Charles Lopes, professor da Escola Nacional de Seguros e dono de uma empresa especializada em gestão médica.

O entrave para que essas iniciativas entrem em prática é legal. O Conselho Federal de Medicina e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisam o uso dos aplicativos. A tendência é que a homologação ocorra até o fim do ano.

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